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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Filho dá bronca em ator após violência em novela


Nem o filho de Jackson Antunes aliviou o ator na cena de agressão à mulher Catarina (Lilia Cabral), exibida terça-feira em A Favorita. "Pai, sei que não é você, mas eu te odeio", disse o menino José Vitor, 9 anos.
Na quarta, Jackson quase não saiu de casa, mas a passagem rápida pela locadora foi suficiente para ele ser "condenado". "Um rapaz disse que 'só a pena de morte resolveria para ele'", contou o ator, aos risos, e disposto a levar a sugestão ao autor, João Emanuel Carneiro. Inspirados no cotidiano dos brasileiros, os casos de violência na relação conjugal são recorrentes nas novelas. Em 2003, o escritor Manoel Carlos também levou o assunto ao horário nobre, em Mulheres Apaixonadas. Raquel, papel de Helena Ranaldi, sofreu com as raquetadas de Marcos (Dan Stulbach). "No caso da Raquel era mais complicado porque ele era amável, e as mulheres acabam ficando presas nessas situações. Já o Leonardo não tem nada que presta. Ela não tem por que continuar ao lado desse homem", compara Helena Ranaldi, acrescentando que até hoje as pessoas a abordam na rua por conta de Raquel.
"Foi muito marcante. As pessoas ficavam indignadas com o que viam. Na verdade, no caso deles, era uma violência 'sugerida', não aparecia ele batendo. Só os gritos e o desespero daquela mulher".
A atriz Silvia Pfeifer, que também passou por experiência semelhante na TV, quando Léa Mezzenga apanhava do marido, Ralf (Oscar Magrini), em O Rei do Gado (1996), considera o debate importante. "Qualquer discussão é válida. O problema das novelas é que não têm como aprofundar o tema o suficiente, já que cada caso é um caso", diz.
"Mesmo assim, mostrar no primeiro estágio é extremamente saudável. Hoje em dia, por exemplo, as questões homossexuais são mais aceitas do que antigamente. As novelas ajudaram", opina a atriz.
Em A Favorita, a submissão de Catarina continua. Sábado, na casa de Copola (Tarcísio Meira), Mariana (Clarice Falcão) conta que a mãe apanhou de Léo. Mas, Catarina mente e diz que está tudo bem. Ela mostra o braço roxo da mãe, que fica constrangida e vai embora.
Dossiê mostra: 107 vítimas por diaCoordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), no Centro, Ciomara Maria Santos assistiu à cena de Jackson Antunes e ressalta que fora a agressão, a violência psicológica foi bem retratada.
"Só com o olhar dela já era possível notar o medo que ela estava sentindo. E quando os filhos foram para fora de casa, o silêncio da sociedade também foi bem caracterizado. Esses casos acontecem e é aquela história de que 'em briga de marido e mulher não se mete a colher'", afirma Ciomara.
Segundo a coordenadora, das mil mulheres atendidas mensalmente pelo Ciam, 97% são de violência na relação conjugal, tanto entre homens e mulheres, como em casos homossexuais. Em 2007, o "Dossiê Mulher", do Instituto de Segurança Pública do Rio, constatou que foram 39.038 ameaças contra as mulheres. Cerca de 107 vítimas por dia.

Fonte: C 13

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